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quarta-feira, 19 de maio de 2010

O bolo de amendoim I

Eu sou fissurado em nozes! Principalmente em amendoim. Tenho paixão por pé de moleque (embora o aparelho dentário tente me tirar este prazer), paçoca, doce de amendoim e tudo mais que se possa fazer com amendoim.

A uns tempos atrás ganhei um mugunzá de uma amiga mineira que continha amendoim. Eu que não era fã de mugunzá acabei apaixonando-me por ele. Bom mas a questão aqui não é o mugunzá em si, mas o bolo de amendoim. Não sei quanto a vocês, mas sabe de uma coisa: EU SOU MESTRE EM PROTELAR AS MINHAS RECEITAS!

Tudo acontece assim: Eu sinto vontade de fazer uma receita (a do momento é o bendito bolo de amendoim), daí vou a cozinha ver se eu tenho todos os ingredientes. Se tiver, às vezes faço na hora. Se não tiver... ai são outros quinhentos. Já fazem uns dois dias que quero fazer o bolo de amendoim, para poder postar no blog. Gostaria que fosse a primeira receita. Nada de muito requintado... Só um pão de ló com recheio de amendoim e leite condensado e um merengue ou chantilly por cima... Enquanto não faço decido.

Torrei os amendoins, mas a verdade é que eu vou me envolvendo com tantas questões que esqueco-me de fazer o bem falado bolo! E enquanto isso... A forma do amendoim vai secando... É irresistível. Cada um que passa pela cozinha leva alguns grãos. Que graça né? Antigamente brigava, mas hoje não brigo mais... A culpa não é do povo! O trem é bom!

Vou fazer o bolo... amanhã! Mas uma coisa eu aprendo com tudo isso! Muitos de nós, como eu, tem mania de protelar as coisas. Mas a grande questão não é protelar as coisas. Eu, por exemplo já aceitei o fato de que eu sou assim! Já lutei muito para mudar e ainda luto mas não fico mais sofrendo quando as coisas não vão bem neste sentido. A questão é assumir o erro por ter protelado! Isso que é o mais difícil. É como o amendoim, ele vai acabando. É a conseqüência de protelar. Às vezes culpamos as pessoas por nossas indiferenças, esperas, medos e tantas outras coisas. É tudo muito pior! Nos relacionamentos eu tenho aprendido que existem coisas que não podemos protelar: Dizer que amamos, dizer que erramos e pedir perdão por exemplo.

Não podemos culpar os outros pelo que é a nossa própria responsabilidade! Fica ai enttão a grande lição do bolo de amendoim : Assuma as responsabilidades! Vou trocar em miúdos para você: “ou você faz o bolo ou deixa os outros comerem os amendoins sem reclamar!” RSRSRSRSRS !

Cheiro!

segunda-feira, 17 de maio de 2010

O cara de avental

Minha história com cozinha é antiga. Desde pequeno tive contato com os cheiros e sabores da cozinha e é interessante que muitos dos bons momentos da minha infância e de certa forma da vida, aconteceram ao pé do fogão e muitas vezes um fogão de lenha.

Um menino baiano tem a sua infância permeada por cheiros e sabores únicos. E de um modo geral, para um nordestino a comida é um evento. Gente, muita gente, ao redor da mesa para encher o bucho, rir, compartilhar, brigar, chorar e etc. De modo que muitas emoções estão ligadas a cozinha e a mesa. O cheiro e sabor do dendê, do pequi, do umbu e da umbuzada, da umburana de cheiro, do caju e sua castanha, do mel de orópa (como se diz o mel da abelha italiana) retirado dos favos, da melancia da arrancada na hora e na roça, do leite quente no peito da vaca, do coco e sua água, doce que só mel... É de morrer de saudade!

É interessante como o nosso cérebro liga estes cheiros e sabores a momentos tão importantes da nossa vida. Uns muito bons e outros nem tanto, mas a vida é assim: as lembranças boas e más são constantemente lançadas para nós e tudo depende do que fazemos com elas. E eu tenho aprendido que as boas devem ser celebradas, lembradas e revividas e as más, aprendi que não adianta lançar pedras, porque como disse “Forest Gump”: “Ás vezes não há pedras suficientes”. Prá que tentar sublimar e fazer que consegue esquecer? A gente tem é que viver. Vai vivendo, vai aproveitando a vida uma hora a dor passa e você nem vê!

Lembro-me do cheiro do doce de gergelim com rapadura feitos na casa de mãe Elza, da manteiga caseira batida no quente-frio antigo de Edna, da farofa de manteiga de Lô feita da rapa da panela. Da briga para lamber a panela do bolo de tia Ilônia, da carne de panela de Dona Calú (minha dinda), do doce de goiaba de Neta. E porque não lembrar da sopa de mainha que levava os vizinhos no rastro do seu cheiro? Era impressionante como a sopa de mainha enchia a casa. Não conheci muito o meu pai, ele faleceu enquanto eu era muito novo, mas minha mãe dizia das buchadas, dos sarapatéis e das carnes cozidas que ele fazia para os amigos.

Então, como você vê, o impressionante é que eu me acostumei a relacionar-me com as pessoas na cozinha e na mesa das refeições. É impressionante como elas se soltam, se abrem e se solidarizam quando estão ao redor da mesa!

Pois é aprendi a amar a cozinha e amar gente! Então esse blog trata de gente e cozinha. Vocês ouviram e poderão reproduzir através das receitas meus desastres e acertos e meus pensamentos a respeito de gente e relacionamento. É cozinha para homens, mulheres e para todos quantos (se há tantos) que pensam e se relacionam com gente e comida! Talvez Freud explique... Mas enquanto ele não nos explica vamos cozinhar, comer e conversar.


Um cheiro!!!!!!!!

Tem um player ai que eu queria muito que você pudesse ouvir... É só da player no tocador ai ao lado. Grande abraço!

Vatapá