Páginas

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Sobre Tempo e Jabuticabas

Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui
para frente do que já vivi até agora.
Sinto-me como aquele menino que ganhou uma bacia de jabuticabas.
As primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas,
rói o caroço.
Já não tenho tempo para lidar com mediocridades.
Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflados.
Não tolero gabolices.
Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram,
cobiçando seus lugares, talentos e sorte.
Já não tenho tempo para
projetos megalomaníacos.
Não participarei de conferências que estabelecem prazos fixos para
reverter a miséria do mundo.
Não quero que me convidem para eventos de um fim de semana com a
proposta de abalar o milênio.
Já não tenho tempo para reuniões
intermináveis para discutir estatutos, normas, procedimentos e
regimentos internos.
Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que
apesar da idade cronológica, são imaturos.
Não quero ver os ponteiros
do relógio avançando em reuniões de "confrontação", onde "tiramos fatos
a limpo".
Detesto fazer acareação de desafetos que brigaram pelo majestoso
cargo de secretário geral do coral.

Lembrei-me agora de Mário de Andrade
que afirmou: "as pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos".
Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência, minha
alma tem pressa...

Sem muitas jabuticabas na bacia, quero viver ao lado de gente
humana, muito humana;
que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se
considera eleita antes da hora,
não foge de sua mortalidade, defende a dignidade dos
marginalizados, e deseja tão somente andar ao lado de Deus.

Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade, desfrutar desse
amor absolutamente sem
fraudes nunca será perda de tempo.
O essencial faz a vida valer a pena.
Basta o essencial.

RUBEM ALVES.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

A cozinha da Dona Edith

Como a gente fala de cozinha, bom humor e etc... Tá ai um video de uma receita super legal! Sopa de ovo!

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Risoto de Camarão

Bom como o bolo de amendoim não saiu a gente vai postando outras coisas... Estamos com dificuldades culinárias em casa. Eu não tenho tido muito tempo para cozinhar (se vê pelos poucos posts), minha mulher não gosta de cozinhar e a nossa secretaria está aprendendo. Então às vezes chego em casa e as coisas ainda não estão prontas. Outro problema é tempo para fazer supermercado e comprar frutas, verduras e temperos... Não sei você, mas eu não consigo chegar no horário, morrendo de fome e não ter nada para comer... Principalmente se eu tenho que voltar à tarde para o trabalho. Eu fico de mal humor... Socorro!

Não foi diferente na última sexta. Cheguei e não tinha nada. Mas desta vez ao invés de ficar de mau humor resolvi cozinhar. Fiz um risoto de camarão e ervilhas. Foi uma receita super prática. O risoto me fez refletir! Nem sempre as coisas na nossa vida acontecem do jeito que queremos. Na maioria das vezes não temos muito controle sobre algumas coisas. Podemos prever, fazer planos e etc. Mas controlar... Raramente. Então percebi que as coisas se baseiam na escolha que fazemos. Ou podemos ficar de mau humor, culpando a tudo e todos, inclusive a nós mesmos, ou podemos fazer um delicioso risoto! Gente a vida é tão curta e gastar tempo se estressando com coisas que podemos relevar é um esforço e um gasto de energia totalmente desnecessário! Mas tudo é uma questão de escolha! A gente escolhe ficar bem!

Ao contrário do que se diz por ai, acredito que podemos sim controlar as nossas emoções. Podemos escolher a quem ou a quê amamos e a quem ou a quê odiamos. Escolher quem nos faz felizes ou infelizes! Escolher ficarmos bem ou não!

Nego, escolha ficar bem e coma o risoto... a receita ta ai!

Risoto de camarão

Risoto de camarão e ervilhas


02 xícaras de arroz parboilizado

01 e ½ xícara de filé de camarão (aqui em alagoas chamamos de espigão. Que é o pequeno mesmo)

02 dentes de alho amassados

01 colher de sobremesa de curry

½ cebola pequena ralada ou para quem gosta cortada em pedacinhos

1 lata de ervilha com o caldo

01 tablete de caldo de camarão dissolvido em uma xícara de água

Sal a gosto (se você gostar de mais sal)

02 Xícaras de água

02 colheres de manteiga


Modo de fazer.


Tempere o camarão com um pouco de sal e reserve. Numa panela doure o alho e a cebola na manteiga e acrescente meia xícara de camarão. Quando os camarões estiverem soltarem água suficiente, acrescente o arroz e deixe esquentar um pouco. Depois acrescente o caldo de camarão e o curry dissolvido em uma xícara de água, coloque também a ervilha com caldo e tudo mexa. Coloque as duas xícaras de água e quando iniciar a fervura coloque o restante dos camarões. Deixe a panela destampada. Quando estiver seco está pronto. Fica atento pode precisar de mais água.

Agora se vc quiser fazer no microondas você faz o seguinte coloca tudo junto mistura bem e coloca na potencia alta durante 15 minutos se não cozinhar coloca mais 10 que fica pronto.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

O bolo de amendoim I

Eu sou fissurado em nozes! Principalmente em amendoim. Tenho paixão por pé de moleque (embora o aparelho dentário tente me tirar este prazer), paçoca, doce de amendoim e tudo mais que se possa fazer com amendoim.

A uns tempos atrás ganhei um mugunzá de uma amiga mineira que continha amendoim. Eu que não era fã de mugunzá acabei apaixonando-me por ele. Bom mas a questão aqui não é o mugunzá em si, mas o bolo de amendoim. Não sei quanto a vocês, mas sabe de uma coisa: EU SOU MESTRE EM PROTELAR AS MINHAS RECEITAS!

Tudo acontece assim: Eu sinto vontade de fazer uma receita (a do momento é o bendito bolo de amendoim), daí vou a cozinha ver se eu tenho todos os ingredientes. Se tiver, às vezes faço na hora. Se não tiver... ai são outros quinhentos. Já fazem uns dois dias que quero fazer o bolo de amendoim, para poder postar no blog. Gostaria que fosse a primeira receita. Nada de muito requintado... Só um pão de ló com recheio de amendoim e leite condensado e um merengue ou chantilly por cima... Enquanto não faço decido.

Torrei os amendoins, mas a verdade é que eu vou me envolvendo com tantas questões que esqueco-me de fazer o bem falado bolo! E enquanto isso... A forma do amendoim vai secando... É irresistível. Cada um que passa pela cozinha leva alguns grãos. Que graça né? Antigamente brigava, mas hoje não brigo mais... A culpa não é do povo! O trem é bom!

Vou fazer o bolo... amanhã! Mas uma coisa eu aprendo com tudo isso! Muitos de nós, como eu, tem mania de protelar as coisas. Mas a grande questão não é protelar as coisas. Eu, por exemplo já aceitei o fato de que eu sou assim! Já lutei muito para mudar e ainda luto mas não fico mais sofrendo quando as coisas não vão bem neste sentido. A questão é assumir o erro por ter protelado! Isso que é o mais difícil. É como o amendoim, ele vai acabando. É a conseqüência de protelar. Às vezes culpamos as pessoas por nossas indiferenças, esperas, medos e tantas outras coisas. É tudo muito pior! Nos relacionamentos eu tenho aprendido que existem coisas que não podemos protelar: Dizer que amamos, dizer que erramos e pedir perdão por exemplo.

Não podemos culpar os outros pelo que é a nossa própria responsabilidade! Fica ai enttão a grande lição do bolo de amendoim : Assuma as responsabilidades! Vou trocar em miúdos para você: “ou você faz o bolo ou deixa os outros comerem os amendoins sem reclamar!” RSRSRSRSRS !

Cheiro!

segunda-feira, 17 de maio de 2010

O cara de avental

Minha história com cozinha é antiga. Desde pequeno tive contato com os cheiros e sabores da cozinha e é interessante que muitos dos bons momentos da minha infância e de certa forma da vida, aconteceram ao pé do fogão e muitas vezes um fogão de lenha.

Um menino baiano tem a sua infância permeada por cheiros e sabores únicos. E de um modo geral, para um nordestino a comida é um evento. Gente, muita gente, ao redor da mesa para encher o bucho, rir, compartilhar, brigar, chorar e etc. De modo que muitas emoções estão ligadas a cozinha e a mesa. O cheiro e sabor do dendê, do pequi, do umbu e da umbuzada, da umburana de cheiro, do caju e sua castanha, do mel de orópa (como se diz o mel da abelha italiana) retirado dos favos, da melancia da arrancada na hora e na roça, do leite quente no peito da vaca, do coco e sua água, doce que só mel... É de morrer de saudade!

É interessante como o nosso cérebro liga estes cheiros e sabores a momentos tão importantes da nossa vida. Uns muito bons e outros nem tanto, mas a vida é assim: as lembranças boas e más são constantemente lançadas para nós e tudo depende do que fazemos com elas. E eu tenho aprendido que as boas devem ser celebradas, lembradas e revividas e as más, aprendi que não adianta lançar pedras, porque como disse “Forest Gump”: “Ás vezes não há pedras suficientes”. Prá que tentar sublimar e fazer que consegue esquecer? A gente tem é que viver. Vai vivendo, vai aproveitando a vida uma hora a dor passa e você nem vê!

Lembro-me do cheiro do doce de gergelim com rapadura feitos na casa de mãe Elza, da manteiga caseira batida no quente-frio antigo de Edna, da farofa de manteiga de Lô feita da rapa da panela. Da briga para lamber a panela do bolo de tia Ilônia, da carne de panela de Dona Calú (minha dinda), do doce de goiaba de Neta. E porque não lembrar da sopa de mainha que levava os vizinhos no rastro do seu cheiro? Era impressionante como a sopa de mainha enchia a casa. Não conheci muito o meu pai, ele faleceu enquanto eu era muito novo, mas minha mãe dizia das buchadas, dos sarapatéis e das carnes cozidas que ele fazia para os amigos.

Então, como você vê, o impressionante é que eu me acostumei a relacionar-me com as pessoas na cozinha e na mesa das refeições. É impressionante como elas se soltam, se abrem e se solidarizam quando estão ao redor da mesa!

Pois é aprendi a amar a cozinha e amar gente! Então esse blog trata de gente e cozinha. Vocês ouviram e poderão reproduzir através das receitas meus desastres e acertos e meus pensamentos a respeito de gente e relacionamento. É cozinha para homens, mulheres e para todos quantos (se há tantos) que pensam e se relacionam com gente e comida! Talvez Freud explique... Mas enquanto ele não nos explica vamos cozinhar, comer e conversar.


Um cheiro!!!!!!!!

Tem um player ai que eu queria muito que você pudesse ouvir... É só da player no tocador ai ao lado. Grande abraço!

Vatapá